Por muito tempo, achei que o dinheiro era para gastar. Organizar as finanças nunca era prioridade e eu faria “quando sobrasse tempo”, “quando a renda aumentasse” ou “quando sobrasse para investir”. Ou seja, na prática, eu trabalhava, gerava o dinheiro e gastava. Contudo, isso foi se repetindo, repetindo… e, independentemente da quantidade, quando recebia mais dinheiro, eu já tinha sonhos, metas e objetivos onde gastar.

O dinheiro para realizar sonhos
Com 19 anos de idade, comprei meu primeiro carro, um jipe Suzuki Vitara branco, pagando à vista. Sem dúvida, foi um grande sonho realizado.
Lembro como se fosse hoje: entrei na concessionária, em Brasília, com meu pai. Levei uma fita K7 gravada especialmente para esse momento, com trilha sonora preparada pelo Léo, na época meu namorado e hoje meu marido e sócio. Chorei de emoção durante todo o trajeto e, quando cheguei em casa, estavam reunidos vários amigos que me esperavam para comemorar a conquista. Foi um dia muito especial!
O dinheiro e o fluxo financeiro
Depois desse sonho, vieram outros: viagens, roupas, restaurantes… GASTANDO o dinheiro. No entanto, chegou um tempo em que o dinheiro começou a diminuir. O dólar subiu, a inflação disparou e os negócios minguaram.
Foi frustrante e desesperador, mas aprendi uma lição fundamental e transformadora: o dinheiro acaba, é necessário cuidar do FLUXO FINANCEIRO e criar estratégias para ter dinheiro sempre, independentemente da quantidade.
Por isso, Léo e eu fizemos uma virada. Estudamos, aplicamos várias técnicas, mudamos pequenos hábitos e, sobretudo, desenvolvemos uma nova atitude em relação ao dinheiro. Com o tempo, os resultados vieram. Transformamos tudo o que aprendemos no Método dos 6Gs, que é ensinado em escolas e empresas e vem melhorando a vida financeira de muita gente desde 2008, quando fundamos a Oficina das Finanças.
Direcionar o dinheiro com inteligência
Quando comecei a anotar os gastos, confesso que levei um susto. Afinal, pela primeira vez, eu conseguia enxergar o todo. E, com toda a certeza, enxergar dá poder.
Assim, passei a avaliar cada despesa e entendi que o dinheiro poderia ser direcionado para investimentos, guardado para gastos futuros com saúde, imprevistos e oportunidades, por exemplo. Sempre me perguntando: dá para reduzir? eliminar? adiar? ou até aumentar, se fizer sentido?
Aos poucos, pequenos ajustes começaram a liberar espaço no orçamento e, principalmente, na minha cabeça. Nesse processo, entendi, na prática, o poder dos pequenos valores. Economizar R$ 10 por dia parece irrelevante, até perceber o que isso representa ao longo do tempo.
Desse modo, não é sobre o número em si, é sobre o hábito. É trocar o automático pelo intencional. Em síntese, é melhorar escolhas e tomar decisões alinhadas com aquilo que você quer construir com seu dinheiro.

O dinheiro para atingir objetivos e planejar sonhos
Outra virada importante veio com uma pergunta que passei a fazer antes de gastar qualquer valor, mesmo pequeno: “Isso me aproxima ou me afasta dos meus objetivos?”
Parece simples, mas essa pergunta muda tudo. Ela desacelera o impulso, ativa o pensamento estratégico e nos reconecta com nossos sonhos. Além disso, é um lembrete gentil de que somos nós que estamos no comando, não o cartão de crédito, a quantia de dinheiro que temos ou a promoção.
Cuidar do dinheiro, portanto, passou a ser sobre escolher melhor juntos. Planejar sonhos, combinar limites, pensar no futuro da família. Gerir passou a ser um exercício de parceria, não de controle.
Claro que nem tudo saiu perfeito. Teve mês em que esqueci de anotar, dias em que comprei por impulso e momentos em que saí do plano. E tudo bem. Aprendi que erro não é fracasso, mas é parte do processo. O que realmente faz diferença não é acertar sempre, mas voltar. Enfim, consistência vale muito mais do que perfeição.
O dinheiro para construir um futuro melhor
Antes de tudo, gerir o dinheiro no dia a dia não é sobre viver apertado, é sobre viver com intenção. É preparar-se para o que já é esperado, criar limites que protegem, guardar antes de gastar e, ao mesmo tempo, trocar pressa por planejamento.
Aos poucos, essas escolhas constroem algo muito maior do que um orçamento organizado, acima de tudo, elas constroem tranquilidade, autonomia, liberdade financeira e de tempo.
Por isso, convido você a reunir sua família e iniciar o ano escolhendo melhor onde e como usar o dinheiro. Coloque, todo mês, uma parte da renda para “trabalhar” e ganhar dinheiro com investimentos. Certamente, isso fará você deixar de depender apenas da renda do trabalho. Comece com pequenas decisões, repetidas dia após dia, que criam as grandes viradas.
Afinal, você merece uma vida com dinheiro que trabalha a favor do que realmente importa.
Carolina Simões Lopes Ligocki
Autora e fundadora da Oficina das Finanças
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