46,3% dos jovens paulistas apostaram em bets no primeiro trimestre de 2026. Esse dado não é culpa das plataformas. É o resultado de décadas de silêncio dentro das salas de aula. (FECAP)
Imagina um adolescente de 16 anos, filho de uma família de classe média, que passa a tarde apostando no celular enquanto aguarda o treino de futebol.
Nesse cenário, ele não é irresponsável. Contudo, ele nunca aprendeu o que é risco.
Além disso, nunca ninguém sentou com ele e explicou a diferença entre sorte e estratégia. Entre probabilidade e ilusão. Entre apostar e investir.
Enquanto isso, a escola estava ocupada demais com conteúdo curricular para falar sobre dinheiro.
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O que as bets têm a ver com a escola?
As bets são plataformas de apostas on-line que já fazem parte da rotina de milhões de adolescentes brasileiros. Em resumo, quando a escola não ensina educação financeira, o aluno chega às bets sem repertório para avaliar risco. Ou seja, o problema não começa na aposta em si: começa na ausência de formação sobre dinheiro. Por isso, falar de bets na escola é, antes de tudo, falar de educação financeira.

Bets entre jovens: os números que a escola precisa conhecer
O Apostômetro FECAP 2026 entrevistou 1.200 jovens paulistas entre janeiro e março deste ano. Portanto, o resultado é difícil de ignorar:
46,3% dos jovens de São Paulo apostaram em bets no primeiro trimestre de 2026.
Além disso, 8,9% contraíram dívidas diretamente ligadas a apostas esportivas digitais.
O levantamento também identificou o uso de recursos destinados a despesas essenciais, prejuízos acadêmicos ou profissionais e impactos emocionais associados às apostas. (FECAP)
Em complemento, outra pesquisa, realizada pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior, a ABMES, e pela Educa Insights, dimensionou o impacto das apostas no acesso à graduação:
34% dos apostadores entrevistados afirmaram que precisariam interromper as apostas para iniciar os estudos no primeiro semestre de 2025. Em outras palavras, uma parcela expressiva pode adiar a entrada na faculdade por causa do comprometimento financeiro com as bets.
Para o primeiro semestre de 2026, a mesma pesquisa projetou que quase 1 milhão de jovens — aproximadamente 986 mil potenciais ingressantes — poderiam deixar de efetivar a matrícula no ensino superior privado por causa do comprometimento financeiro com bets. (ABMES)
Por outro lado, esses não são números abstratos. Pelo contrário, são alunos que passam pela sua escola hoje. Que pegam o ônibus, fazem a lição, participam da feira de ciências.
Ao mesmo tempo, do lado de fora das salas, eles estão tomando decisões financeiras que vão definir os próximos dez anos de vida.
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O que são bets?
Bets são casas de apostas digitais, em geral esportivas, que operam por aplicativos e sites. Elas usam design, gatilhos comportamentais e algoritmos para estimular apostas repetidas. Por isso, encontram terreno fértil entre jovens que nunca aprenderam a pensar sobre risco e sobre o valor do dinheiro no tempo.
Por que as bets funcionam com tanta facilidade?
De fato, as plataformas de apostas são sofisticadas. Elas usam design, psicologia comportamental e algoritmos para criar a sensação de que a próxima aposta pode mudar tudo.
Além disso, elas encontram terreno fértil quando o jovem nunca aprendeu a pensar em risco, em valor do dinheiro no tempo e em gratificação postergada.
Não é falta de caráter. É falta de repertório. E repertório se constrói na escola.
Ademais, o adolescente que nunca simulou uma escolha financeira, que nunca entendeu o conceito de juros compostos e que nunca distinguiu necessidade de impulso é o público ideal para qualquer plataforma que vende a ilusão de enriquecimento rápido.
Em resumo, as bets não criaram esse vácuo. Todavia, elas só o preencheram.
O que a BNCC já prevê, e a maioria das escolas ainda ignora
Desde 2020, a Base Nacional Comum Curricular prevê educação financeira como tema transversal obrigatório em todos os anos da Educação Básica.
No entanto, na prática, a maioria das escolas ainda trata o assunto de forma pontual: uma aula isolada sobre poupança no nono ano, ou um projeto de feira sobre empreendedorismo que dura uma semana.
Contudo, não é suficiente.
Afinal, educação financeira real exige progressão. Ela começa aos 4 anos, quando a criança aprende que dinheiro tem origem e limite. Em seguida, passa pelos anos iniciais, quando se fala em planejamento e escolha. Enfim, chega ao ensino médio com conceitos como investimento, risco e sonhos de longo prazo.
É exatamente esse trajeto que forma o jovem capaz de olhar para uma plataforma de bets e pensar: isso aqui não me interessa.
A pergunta que cada gestor precisa responder
Sua escola tem um programa estruturado de educação financeira?
Não uma disciplina optativa. Não um projeto de um mês, mas um programa com sequência didática, formação de professores, engajamento das famílias e acompanhamento pedagógico.
Logo, se a resposta for não, vale a pena perguntar:
O que o aluno leva da escola para tomar decisões financeiras ao longo da vida?
A escola que não ensina o aluno a gerenciar dinheiro está, sem querer, deixando esse espaço aberto para quem quer explorá-lo.
O que a pesquisa aponta como solução
O próprio estudo da FECAP indica que jovens com maior repertório financeiro apresentam menor vulnerabilidade às bets. Não porque são mais inteligentes, mas porque têm critérios para avaliar risco e recompensa.
Isso não se aprende sozinho. Pelo contrário, aprende-se em ambiente estruturado, com método, com repetição e com exemplos conectados à realidade do aluno.
Além disso, a escola é o único lugar onde todos os jovens passam. Independentemente de renda, de origem familiar, de acesso à informação em casa. Dessa forma, se a educação financeira não acontece dentro dos muros da escola, para muitos alunos ela simplesmente não acontece.
O papel da escola vai muito além do conteúdo
Gestores escolares conhecem bem a pressão por resultado acadêmico: ENEM, olimpíadas, índices de aprovação. De fato, a agenda é apertada.
Ao mesmo tempo, há uma responsabilidade mais ampla que fica implícita no cotidiano escolar: preparar o aluno para a vida.
Afinal, a vida real inclui conta bancária, cartão de crédito, primeiro salário, decisões de consumo, pressão de grupo para apostar, investir ou gastar.
Por isso, a escola que insere educação financeira na rotina não está disputando espaço com Matemática ou Português. Pelo contrário, está tornando esses conteúdos mais vivos, mais aplicados, mais relevantes para o aluno que pergunta:
Para que eu preciso saber isso?

Uma geração inteira está sendo disputada pelas bets
As plataformas de bets investem bilhões em marketing, em influenciadores, em patrocínios esportivos. Além disso, elas sabem exatamente o que estão fazendo e para quem estão falando.
A escola não precisa competir com esse orçamento. Afinal, ela tem algo que nenhuma plataforma tem: tempo, confiança e continuidade na vida dos alunos.
Seis horas por dia, duzentos dias por ano, durante doze anos. Assim, é uma janela enorme para construir um jeito diferente de pensar sobre dinheiro.
A escola que ocupa esse espaço com intencionalidade está, literalmente, mudando a trajetória financeira de uma geração.
Perguntas frequentes sobre bets e educação financeira na escola
Qual é a relação entre bets e educação financeira?
As bets exploram a falta de repertório financeiro. Ou seja, quanto menos o jovem entende sobre risco, dinheiro e tempo, mais vulnerável ele fica. Portanto, a educação financeira é a principal ferramenta de prevenção que a escola tem à disposição.
A BNCC obriga a escola a tratar do tema?
Sim. Desde 2020, a BNCC prevê a educação financeira como tema transversal obrigatório em toda a educação básica. No entanto, na maioria das escolas o tema ainda aparece de forma pontual, e não como programa contínuo.
Como a escola pode proteger os alunos das bets?
Em primeiro lugar, com um programa estruturado de educação financeira, do Infantil ao Ensino Médio. Além disso, com formação de professores, engajamento das famílias e acompanhamento pedagógico ao longo dos anos. Dessa forma, o aluno desenvolve critérios próprios para dizer não às bets.
Por que os jovens podem ficar vulneráveis às bets?
Porque as apostas combinam promessa de ganho rápido, estímulos emocionais e percepção distorcida de controle. Além disso, quando faltam conhecimentos sobre probabilidade, risco, orçamento e perdas, o jovem tem menos critérios para avaliar a decisão.
Falar sobre bets na escola incentiva os estudantes a apostar?
Não. Ao contrário, uma abordagem pedagógica, crítica e adequada à faixa etária ajuda a compreender os riscos, reconhecer mecanismos de persuasão e tomar decisões mais conscientes.
Educação financeira precisa ser uma disciplina isolada?
Não necessariamente. Nesse contexto, a BNCC orienta uma abordagem transversal e integradora. Portanto, a escola pode articular educação financeira com matemática, linguagens, ciências humanas, projeto de vida e situações reais do cotidiano.
Em resumo
Em 2026, 46,3% dos jovens paulistas apostaram em bets no primeiro trimestre.
A BNCC prevê educação financeira como tema obrigatório desde 2020.
Jovens com mais repertório financeiro apresentam menor vulnerabilidade às bets.
A escola é o ambiente com tempo, confiança e continuidade para formar esse repertório.
Bets: educação financeira na escola é proteção
Certamente, os dados de 2026 são um alerta. Mas também são uma oportunidade.
Enquanto o debate público se concentra em regular as bets, as escolas que já trabalham educação financeira de forma estruturada estão formando jovens que não precisam ser protegidos por lei. Afinal, já aprenderam a se proteger.
De fato, isso faz toda a diferença.
Sobre a FORME Educação Financeira
A FORME desenvolve programas completos de educação financeira para escolas da Educação Básica, do Infantil ao Ensino Médio, alinhados à BNCC. São material didático, formação de professores, plataforma para famílias e assessoria pedagógica continuada. Tudo pensado para funcionar de verdade dentro da rotina escolar.
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Da intenção à rotina: onde entra a gestão escolar?
Estruturar um programa de educação financeira exige mais do que boa vontade. De fato, exige acompanhamento pedagógico, engajamento das famílias e continuidade ano após ano. Assim, é na organização da rotina que a gestão escolar faz diferença.
Nesse ponto, o Diário Escola, supersistema de gestão escolar, apoia as instituições de ensino:
centraliza a comunicação com as famílias;
organiza o acompanhamento pedagógico;
dá continuidade aos projetos que, de outra forma, se perderiam na correria do dia a dia.
Para o supersistema Diário Escola, preparar estudantes para escolhas conscientes também faz parte de uma gestão escolar conectada à vida real. Portanto, a resposta estratégica começa agora: ocupar o espaço antes que as bets o ocupem, transformar informação em repertório e fazer da educação financeira uma capacidade construída ao longo de toda a trajetória escolar.
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