Quando o assunto é jogos digitais e dinheiro, seu filho ou aluno já comentou sobre o “tigrinho”? Já viu um anúncio de aposta esportiva no meio de um jogo mobile? Se a resposta for sim, ele não está sozinho.
De fato, uma pesquisa da Ipsos, encomendada pela empresa de verificação de identidade Unico e divulgada em 2026, mostra que:
11% dos jovens brasileiros de 10 a 17 anos apostaram em bets em 2025.
entre os meninos de 16 e 17 anos, esse número sobe para 20%.
entre as meninas, o crescimento mais expressivo aconteceu na faixa de 14 e 15 anos, com 14% de acesso a apostas on-line, mais que o triplo do registrado entre 10 e 13 anos.
Além disso, o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III), conduzido pela Unifesp com mais de 16 mil entrevistados, chega a um número parecido:
10,5% dos adolescentes de 14 a 17 anos apostaram dinheiro no último ano, o que representa cerca de 1 milhão de menores em contato com plataformas de apostas no Brasil.
O dado que mais preocupa pesquisadores, porém, não é quantos adolescentes apostam. É como eles apostam. Além disso, segundo o mesmo levantamento:
55,2% dos adolescentes apostadores já apresentam sinais de jogo problemático, uma proporção bem maior do que a encontrada entre adultos apostadores (38,8%).
Ou seja: quando um adolescente entra em contato com apostas, o risco de esse contato virar um problema é significativamente mais alto do que no caso de um adulto.
🔎 Resposta rápida
O que significa educar sobre jogos digitais e dinheiro?
É ensinar o adolescente a reconhecer, desde cedo, como funcionam os mecanismos de recompensa das apostas, por que a casa tende a ganhar no longo prazo e como decisões financeiras impulsivas cobram um preço. Ou seja, é educação financeira aplicada à realidade digital em que ele já vive.
A prevenção diante das bets exige ação conjunta de escola e família antes do problema aparecer. Neste contexto, significa ampliar o repertório do adolescente para reconhecer riscos, entender como as apostas funcionam, lidar com frustrações e tomar decisões financeiras com mais consciência antes que o comportamento se torne problemático. Em outras palavras, isso inclui conversar antes de proibir, desenvolver educação financeira, explicar a lógica matemática das apostas, observar sinais de alerta e usar os mecanismos legais de proteção disponíveis.

Por que os adolescentes caem nas bets?
Não é falta de informação. É o encontro de três fatores que o cérebro adolescente ainda está aprendendo a administrar.
Recompensa imediata. Afinal, o sistema de recompensa do cérebro na adolescência responde com mais intensidade a estímulos rápidos, e apostas são desenhadas justamente para entregar essa sensação em segundos.
Além disso, grupos de amigos, lives de streamers e conteúdo de redes sociais normalizam a aposta como parte da rotina, não como exceção.
Promessa de dinheiro fácil. Sobretudo em famílias sob pressão financeira, a ideia de “ganhar uma grana rápido” tem apelo real, especialmente quando o adolescente já percebe dificuldades em casa.
Contudo, nenhum desses três fatores se resolve com um bloqueio de aplicativo. Eles pedem conversa, repertório e, principalmente, educação financeira que comece antes do problema aparecer.
O que mudou com o ECA Digital?
Em março de 2026 entrou em vigor o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, o chamado ECA Digital. Ele proíbe que plataformas de apostas aceitem o simples clique em “sou maior de 18 anos” como prova de idade e passa a exigir mecanismos de verificação mais robustos, como biometria e cruzamento com bases oficiais.
Sem dúvida, é um avanço real. Mas duas brechas continuam abertas e valem o alerta às famílias.
Uso do CPF de um adulto da casa. Aliás, pesquisas mostram que essa é a forma mais comum de um menor de idade burlar a verificação, muitas vezes com o CPF de um dos pais, com ou sem consentimento.
Plataformas não regulamentadas no exterior. Por outro lado, o serviço de autoexclusão disponível em gov.br funciona apenas para operadores licenciados no Brasil. Sites ilegais, que hoje respondem por uma fatia relevante das apostas no país, ficam fora desse alcance.
Ou seja, a lei fecha uma porta importante, mas não substitui a atenção da família e da escola.
Sinais de alerta que valem atenção
De todo modo, nem todo adolescente que aposta vai contar isso em voz alta. Alguns sinais, por exemplo, costumam aparecer antes:
pedidos frequentes de dinheiro sem explicação clara, ou “empréstimos” entre colegas que nunca são pagos
uso excessivo do celular em horários incomuns, com ansiedade visível ao ser interrompido
mudanças de humor associadas a resultados de jogos ou apostas
vocabulário específico do universo das bets (odds, “green”, “red”, “tigrinho”) aparecendo em conversas do dia a dia
queda de rendimento escolar sem outra causa aparente
O que a família pode fazer, a partir de hoje?
Conversar antes de proibir. Perguntar o que o adolescente já viu, sem julgamento, certamente, abre mais portas do que uma proibição seca.
Fazer o autoexclusão preventivo. O responsável legal pode registrar o CPF do adolescente no serviço de autoexclusão de apostas em gov.br, bloqueando o acesso em plataformas regulamentadas.
Explicar a matemática por trás da aposta. Poucos adolescentes entendem, na prática, que o jogo é estruturado para que a casa ganhe no longo prazo. Antes de tudo, isso é educação financeira aplicada, não sermão.
Falar sobre dinheiro em casa, com naturalidade. Afinal, famílias que conversam sobre orçamento, metas e limites tendem a criar filhos com mais repertório para reconhecer promessas de dinheiro fácil.
E o papel da escola?
Em primeiro lugar, o Estatuto da Criança e do Adolescente já prevê que escolas que identificarem apostas em grupo entre estudantes notifiquem o Conselho Tutelar local. Mas o papel mais importante da escola acontece antes disso: é dar ao aluno, ano após ano, um repertório de educação financeira que o ajude a reconhecer riscos, entender probabilidade, planejar metas e lidar com frustração sem recorrer a atalhos.
Assim, é exatamente esse o território em que a FORME – Educação Financeira atua dentro de mais de 350 escolas parceiras no Brasil, com material didático da Educação Infantil ao Ensino Médio alinhado à BNCC, trabalhando temas como consumo consciente, planejamento e tomada de decisão desde cedo, muito antes de esses temas chegarem como problema.
Prevenção contra bets não é um projeto isolado. Acima de tudo, é consequência de uma escola que trata educação financeira como parte da formação do aluno, e não como um tema pontual de campanha. Para conhecer o material e a metodologia da FORME, acesse formeeduca.com.br.
Fontes: Ipsos/Unico (2026), Levantamento Nacional de Álcool e Drogas III (Unifesp), ECA Digital (Lei nº 15.211/2025, em vigor desde 17 de março de 2026) e Senado Federal/DataSenado.
Sobre a FORME Educação Financeira
A FORME desenvolve programas completos de educação financeira para escolas da Educação Básica, do Infantil ao Ensino Médio, alinhados à BNCC. São material didático, formação de professores, plataforma para famílias e assessoria pedagógica continuada. Tudo pensado para funcionar de verdade dentro da rotina escolar.
Saiba mais em www.formeeduca.com.br/contate

Bets, jogos digitais e dinheiro na rotina escolar: prevenção como parte da formação
Em síntese, falar de jogos digitais e dinheiro com adolescentes não é assustar, e sim preparar. Portanto, quando família e escola caminham juntas, o repertório financeiro do aluno cresce antes de a primeira aposta aparecer. Assim, a prevenção deixa de ser reação e passa a ser parte da formação, sustentada por uma escola organizada e por uma educação financeira presente do início ao fim da jornada.
Tratar jogos digitais e dinheiro como tema de formação exige tempo e organização, dois recursos que costumam faltar na rotina de quem dirige uma escola. Nesse sentido, a gestão escolar entra como base: quando o gestor reduz o retrabalho administrativo, sobra energia para o que forma o aluno de verdade.
É justamente esse espaço que o supersistema Diário Escola abre, pois reúne e integra toda a operação da escola em um só lugar para que a equipe pedagógica possa se dedicar à prevenção, à educação financeira e ao acompanhamento próximo de cada turma. Ou seja, prevenir passa também por uma escola bem organizada por meio do uso inteligente da tecnologia aplicada à gestão escolar.
Perguntas frequentes sobre bets, jogos digitais e dinheiro
A partir de que idade falar sobre jogos digitais e dinheiro?
Desde cedo, com linguagem adequada à idade. Para crianças menores, por exemplo, basta explicar que empresas ganham com apostas e que o jogador pode perder. Em seguida, na adolescência, a conversa pode abordar dependência, endividamento e comportamento compulsivo de forma direta.
Como funciona o autoexclusão de apostas no gov.br?
Nesse sentido, o responsável legal registra o CPF do adolescente no serviço oficial, que bloqueia o acesso a plataformas regulamentadas no Brasil. Contudo, o bloqueio não alcança sites ilegais sediados no exterior.
Bloquear o aplicativo resolve?
Não por si só. Além disso, o bloqueio não substitui a conversa nem a educação financeira, que são o que realmente reduz o risco no longo prazo.
Quais os principais sinais de alerta?
Pedidos frequentes de dinheiro, uso do celular em horários incomuns, mudanças de humor ligadas a resultados de jogos e queda no rendimento escolar.
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